sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Só Quando - Ana Paula Lisboa

Quando eu escrevo é tudo inverdade. Quando eu escrevo quem fala é a minha mão, é a minha palavra gritando estridente. Quando eu escrevo quem fala é a minha boca, faladeira de besteira que me deixa envergonhada.

Eu abro bem os olhos pra não ouvir ninguém, quando eu escrevo, e fecho os ouvidos pra ver todo mundo.

Quando eu escrevo meu joelho direito reclama de eu ficar tanto tempo sentada. Tudo me dói, porque dói eu ter que escolher entre o bom e o ruim, quem fica e quem vai, quem vive e quem morre. Só escolho quando escrevo e por isso escrever é muito mais difícil que viver.

Quando eu escrevo é pra inventar o meu mundo, defeituoso e cheio de palavras soltas , a minha toca do coelho.

Os meus cabelos crescem mais rápido quando eu escrevo e perco 90 calorias por linha escrita. Não preciso beber água e nem comer.

Quando eu escrevo é pra ser bonita, gostosa, pra me convidarem pra posar nua. É por que quero ficar rica, famosa e ser invejada, não escrevo pra parecer culta.

Quando eu escrevo é só por que gosto de ver a minha letra, redondinha, desenhada no papel.
Não escrevo pra ser original, é pra repetir, plagiar, copiar e colar.

Quando eu escrevo é por que estou apaixonada, normalmente por um homem feio e barrigudo.
Quando eu escrevo é por que quero ser pervertida.Quero matar alguém, ou dar pra alguém, mas estou de mãos atadas para as duas coisas.

Quando eu escrevo, normalmente, é por que não encontrei nada melhor pra fazer.

3 comentários:

  1. a difícil arte de escrever... muito bom, ana! adoro seus textos metapoéticos!

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  2. "Quando eu escrevo é por que estou apaixonada [...].
    Quando eu escrevo é por que quero ser pervertida.Quero matar alguém, ou dar pra alguém, mas estou de mãos atadas para as duas coisas."

    Quando eu escrevo é porque minha cabeça está muito cheia e preciso extravasar. E quando VOCÊ escreve é pra me fazer feliz e traduzir em palavras os meus sentimentos.

    Te amo.

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  3. Lindos textos, Ana...

    Visitarei sempre seu blog...

    Beijos,

    Flávio

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